Monteiro Lobato

Paulista de Taubaté, Monteiro Lobato (1882-1948) foi advogado, fazendeiro e adido cultural do Brasil nos EUA. Empreendeu luta incansável pela necessidade da exploração do petróleo em terras brasileiras e isso valeu-lhe a prisão e o exílio na Argentina.

Não há no Brasil quem tenha superado Monteiro Lobato como escritor de histórias infantis. No Sítio do Pica-pau Amarelo (uma chácara imaginária), ele colocou personagens antológicos como a boneca Emília, Narizinho e Pedrinho, Dona Benta, Tia Anastácia, Rabicó, o Visconde de Sabugosa, Tio Barnabé, o Saci-pererê, a Cuca, o Minotauro e muitos outros, misturando realidade e fantasia em doses sábias. Monteiro Lobato soube lidar com o universo mental da criança, empregando mitos do folclore mundial que convivem harmoniosamente com os mitos das histórias populares brasileiras.

Algumas histórias infantis: Reinações de Narizinho, Caçadas de Pedrinho e Hans Staden, Memórias de Emília e Peter Pan, Emília no País da Gramática, A Aritmética de Emília, O Poço do Visconde, Geografia de Dona Benta, Histórias de Tia Anastácia, O Minotauro, O Marquês de Rabicó.

Outras obras de Monteiro Lobato
Urupês (contos 1919)
Idéias de Jeca Tatu (contos 1919)
Cidades Mortas (contos 1919)
Negrinha (contos 1920)

Monteiro Lobato escreve mais de trinta livros, mas ele tem sido considerado mais um grande contista, especialmente em se tratando de seu regionalismo (presente em Urupês e Cidades Mortas) que retrata o universo rural paulista com meticulosidade e precisão. Criou o Jeca Tatu, um símbolo do caboclo paulista. Preguiçoso na primeira versão, doentio e subnutrido nas demais versões, Jeca Tatu se tornou uma das personagens mais populares da literatura brasileira.

Em Urupês, há uma crônica em que Monteiro Lobato fotografa a imagem do caipira, apresentado como uma raça intermediária, que perdeu o primitivismo do índio sem, todavia, adquirir a força do colonizador europeu. O texto aponta para a indolência desse habitante do interior. Por essa razão, o Jeca Tatu acabou se tornando um símbolo nacionalista utilizado pelo político Rui Barbosa em sua campanha para presidente do Brasil, em 1918. Essa crônica provocou polêmicas pela denúncia de que o caipira passa a vida vegetando.

(…) Quando Pedro I lança os ecos do seu grito histórico e o país desperta estrouvinhado à crise duma mudança de dono, o caboclo ergue-se, espia e acocora-se de novo.

Pelo 13 de maio, mal esvoaçava o florido decreto da Princesa e o negro exausto larga num uf! O cabo da enxada; o caboclo olha, coça a cabeça, imagina e deixa que do velho mundo venha quem nele pegue de novo.

A 15 de novembro troca-se um trono vitalício pela cadeira quatrienal. O país bestifica-se ante o inopinado da mudança. O caboclo não dá pela coisa.

Vem Floriano; estouram as granadas de Custódio; Gumercindo bate às portas de Roma; Incitatus derranca o país. O caboclo continua de cócoras a modorrar.

Nada o esperta. Nenhuma ferretoada o põe de pé. Social, como individualmente, em todos os atos da vida, Jeca, antes de agir, acocora-se. (…)

Os livros de literatura brasileira têm comentado bastante acerca do artigo “Paranóia e Mistificação” que Monteiro Lobato publicou em 20 de dezembro de 1917 no Jornal O Estado de São Paulo. Dizem que esse texto foi o estopim do surgimento do Modernismo por conter uma crítica à exposição de pinturas expressionistas de Anita Malfatti em São Paulo/SP.

Paranóia ou Mistificação? Há duas espécies de artista. Uma composta dos que vêem normalmente as coisas e em conseqüência fazem arte pura, guardados os eternos ritmos da vida, e adotados, para a concretização das emoções estéticas, os processos clássicos dos grandes mestres.

A outra espécie é formada dos que vêem anormalmente a natureza e a interpretam à luz das teorias efêmeras, sob a sugestão estrábica excessiva. São produtos do cansaço e do sadismo de todos os períodos de decadência; são frutos de fim de estação, bichados ao nascedouro. Estrelas cadentes, brilham um instante, as mais das vezes com a luz do escândalo, e somem-se logo nas trevas do esquecimento.

Estas considerações são provocadas pela exposição da Sra. Malfatti, onde se notam acentuadíssimas tendências para uma atitude estética forçada no sentido das extravagâncias de Picasso e Cia.

Nenhuma impressão de prazer ou de beleza denunciam as caras; em todas se lê o desapontamento de que está incerto, duvidoso de si próprio e dos outros, incapaz de raciocinar e muito desconfiado de que o mistificaram grosseiramente. (…)

É estranho que Monteiro Lobato seja pichado como antiquado e reacionário por causa desse texto, segundo o próprio autor, um lapso na sua vida literária. Na realidade, Monteiro Lobato foi um dos maiores batalhadores pelas coisas brasileiras, um nacionalista incansável e jamais xenófobo.

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